quarta-feira, 26 de outubro de 2011

FIGURAS DE LINGUAGEM

 HERMENÊUTICA 


            Figuras de linguagem que encerram comparações tiradas de elementos da natureza, utensílios humanos e também podem ser de algumas experiências do homem;

Utensílios Humanos = (cerâmica, túmulos, vestimentas, etc.).
Natureza Humana = (chuva, água, fogo, solo, flores, árvores, animais, etc.).
Experiências Humanas = (nascimento, morte, guerra, música, etc.).

1.                  Símile.
            È uma comparação em que uma coisa lembra outra explicitamente (usando como, assim como, tal qual e tal como). Pedro usa um Símile ao escrever: “... toda carne é como a erva...” (1 Pe 1.24). Jesus também utiliza no relato de Lucas: “... Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lucas 10:13). No Salmo 1 também vemos o mesmo: “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas” (v 3) e “ são [...] como palha” (v 4). A dificuldade dos símiles é descobrir as semelhanças entre os dois elementos. Em que aspecto o homem é como a erva? Em que sentido os discípulos de Jesus eram como cordeiros? De que forma o cristão é como uma árvore e o ímpio como a palha?

2.                  Metáfora.
            È uma comparação em que um elemento é, imita ou representa outro (sendo que os dois são essencialmente diferentes). Numa metáfora, a comparação está implícita, ao passo que um símile é visível.
Uma pista para identificar uma metáfora é que os verbos “ser” e “estar” sempre são empregados. Temos um exemplo disso em Isaías 40.6: “Toda a carne é erva”. Note que essa frase difere daquela de 1 Pe 1.24: “ Toda a carne é como erva”. (Um símile sempre traz a conjunção como ou outras.) o Senhor disse para Jeremias: “ O meu povo tem sido ovelhas perdidas” (Jr 50.6). O Senhor comparou seus seguidores ao sal: “ Vós sois o sal da terra” (Mt 5.13). Eles não eram sal de verdade; estavam sendo comparados ao sal.
Quando Jesus afirmou: “ Eu sou a porta” (Jo 10.7,9), “ Eu sou o bom pastor” (vv 11, 14) e “ Eu sou o pão da vida” (6.48), ele estava fazendo comparações. Em certos aspectos, ele é como uma porta, como um pastor e como um pão. O leitor é levado a pensar de que forma Jesus assemelha-se a tais elementos.

3.                  Hipocatástase.
            Esta figura de linguagem, não tão conhecida, também faz uma comparação em que a semelhança é indicada diretamente. Quando Davi disse: “cães me cercam...” (Sl 22.16), estava referindo-se a seus inimigos, chamando-os cães. Os falsos mestres também são chamados cães, em Filipenses 3.2, e lobos vorazes, em At 20.29. As diferenças entre um símile, uma metáfora e uma hipocatástase podem ser identificadas nas seguintes frases:

Símile: “Vocês, ímpios, são como cães.”
Metáfora: “Vocês, ímpios, são cães.”
Hipocatástase: “Seus cães.”
            Em João 1.29, João Batista fez uso de hipocatástase: “...Eis o cordeiro de Deus...”. Se ele tivesse dito: “Jesus é como cordeiro”, estaria usando um símile. Mas se tivesse dito: “Jesus é um cordeiro”, estaria usando uma metáfora. Quando Cristo disse a Pedro: “...Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21.17), ele chamou seus seguidores de ovelhas, usando uma hipocatástase.

Figuras de Linguagem que Encerram Substituição:
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4.                  Metonímia.
            A metonímia consiste em substituir uma palavra por outra. Quando dizemos que o Congresso tomou uma decisão, estamos referindo-nos a deputados e senadores. Substituímos os deputados e os senadores pela estrutura política que dirigem. Na afirmação: “A pena é mais forte do que a espada”, queremos que o que se escreve (a pena) surte mais efeito do que o poderio militar (a espada).
Na Bíblia, existem pelo menos três tipos de metonímia.
A – A causa é usada em lugar do efeito. Os opositores de Jeremias disseram: “... Vinde, firamo-lo com a língua...” (Jr 18.18). Como seria absurdo produzir ferimentos com a língua, é óbvio que eles estavam referindo-se a palavras. A língua era a causa, e as palavras o efeito.
B – O efeito é usado em lugar da causa. Davi disse: “Eu te amo, ó Senhor, minha força” (Sl 18.1). A força (efeito) é empregada em lugar da causa (o Senhor).
C – O objeto é empregado em lugar de outro semelhante ou que está a ele relacionado. Quando Paulo disse: “Não podeis beber o cálice do Senhor...” (1 Co 10.21), estava referindo-se ao conteúdo do cálice, não ao cálice em si.
Quando Jesus disse: “Se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá substituir” (Mc 3.25), é claro que ele não estava falando de uma casa de verdade; referia-se à família que mora na casa.

5.                  Sinédoque.
            É a substituição da parte pelo todo, ou do todo pela parte. César Augusto emitiu um decreto de que deveria ser feito o censo de “todo o mundo” (Lc 2.1; ARC). Ele falou do todo, mas estava referindo-se apenas a uma parte – o Império Romano. É óbvio que Provérbios 1.16 – “...os seus pés correm para o mal...” – não significa que somente os pés deles correm. Os pés são a parte que representa o todo – eles.
            A palavra grega, em Romanos 1.16, diz respeito a todos os gentios. O Senhor disse: “... eu chamo a espada sobre todos os moradores da terra...” (Jr 25.29). A espada é a parte que representa o todo – uma catástrofe. Priscila e Áquila “arriscaram as suas próprias cabeças “ (Rm 16.4) por Paulo. Nesta sinédoque, “suas cabeças”, a parte representa suas vidas, o todo.

6.                  Merisma.
            É um tipo de sinédoque em que a totalidade ou o todo é substituído por duas partes contrastantes ou opostas. Quando o salmista escreveu: “ Sabes quando me assento e quando me levanto...” (Sl 139.2), ele não estava limitando o conhecimento do Senhor aos momentos em que ele se sentava e se levantava. Pelo contrário, estava dizendo que o Senhor conhecia todos os seus movimentos.
7.             Hendíade.
          Consiste na substituição de um único conceito por dois termos coordenados (ligados por “e”) em que um dos elementos define o outro. A palavra hendíade vem de grego hem (um), dia (por meio de) e dis (duplo). “O sacrifício e serviço”, de Filipenses 2.17, deve significar “serviço com sacrifício”. Da mesma forma, quando os apóstolos falaram deste “ministério e apostolado”, estava referindo-se a este “ministério apostólico” (At. 25).

8.             Personificação.
          O que ocorre aqui é a atribuição de características ou ações humanas a objetos inanimados, a conceitos ou a animais. A alegria é uma emoção atribuída ao deserto, em Isaías 35.1: “O deserto e a terra se alegrarão...”. Isaías 55.12 fala de montes e outeiros entoando cânticos e de árvores batendo palmas. A morte personifica-se em Romanos 6.9 e em 1 Coríntios 15.55.

9.             Antropomorfismo.
          Consiste na atribuição de qualidades ou ações humanas a Deus, como ocorre nas referências aos dedos de Deus (Sl 8.3), a seus ouvidos (31.2) e a seus olhos (2 Cr 16.9).

10.         Antropopatia.
          Esta figura de linguagem atribui emoções humanas a Deus, como vemos em Zacarias 8.2: “...tenho grandes zelos de Sião”.

11.         Zoomorfismo.
          Se o antropomorfismo atribui características humanas a Deus, o zoomorfismo atribui características animais a Deus (ou a outros). São maneiras expressivas e originais de salientar certos atos e qualidades do Senhor. O salmista disse:”[Deus] Cobrir-te-á com as sua penas, sob suas asas estarás seguro...” (Sl 91.4). A imagem que vem á mente dos leitores é de pintinhos ou passarinhos protegidos debaixo das asas da galinha ou do pássaro-mãe. Jó descreveu o que considerou ser a ira de Deus contra ele quando disse: “[Deus] contra mim rangeu os dentes...” (Jó 16.9).

12.         Apóstrofe.
          Consiste numa referência direta a um objeto como se fosse uma pessoa, ou a uma pessoa ausente ou imaginária como se estivesse presente. Na personificação, o escritor fala de um objeto como se fosse uma pessoa, enquanto na apóstrofe ele fala com o objetivo como se fosse uma pessoa. Quando o salmista falou com o mar: “que tens, ó mar, que assim foges?...” (Sl 114.5), empregou uma apóstrofe. Mas, num versículo anterior, quando falou sobre o mar (“o mar viu isso, e fugiu”, v.3), fez uso da personificação. Ás vezes os profetas convocam a terra para servir de testemunha do pecado de Israel e de outras nações. Miquéias fala diretamente á terra, em Miquéias 1.2: “Ouvi, todos os povos, prestai atenção, ó terra...”. Em Salmos 6.8, o salmista fala como se seus inimigos estivessem presentes: “Apartai-vos de mim, todos os que praticais a iniqüidade...”.

13.         Eufemismo.
            Consiste na substituição de uma expressão desagradável ou injuriosa por outra inócua ou suave. Falamos da morte mediante eufemismos: “ele passou para outro lado”, “bateu as botas” ou “foi para uma melhor”. A Bíblia fala da morte dos cristãos como um adormecimento (At 7.60; 1 Ts 4.13-15).

As Figuras de Linguagem que Encerram Omissão ou Supressão:

14.              Elipse.
            É a omissão de uma palavra ou palvras cuja falta deixa incompleta a estrutura gramatical. Ás vezes um adjetivo ligado a um substantivo vem substituir ambos. Em português “a capital” significa “a cidade capital”. “Os dozes” representa “os doze apóstolos” (i Co 15.5). Em 2 Timóteo 4:18, temos, literalmente: “O Senhor [...] me preservará para o seu reino celestial”. A idéia parece ser que o Senhor preservaria Paulo e o conduziria para seu reino celestial. As palavras “me levará” precisam ser introduzidas pelo leitor para completar a estrutura gramatical da frase.

15.              Zeugma.
            Consiste na associação de dois substantivos a um mesmo verbo, quando pela lógica o verbo só pede um substantivo. A tradução literal de Lucas 1.64 diz assim: “Sua boca se abriu e sua língua”. Mas as versões em nosso  idioma acrescentaram “desimpedida” antes de “língua”, para que ficasse mais bem escrito.

16.              Reticência.
            È uma interrupção repentina do discurso, como se o orador não tivesse podido terminá-lo. Moisés, ao confessar os pecados do povo, disse: “Agora, pois se perdoasses o seu povo... Se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste” (Êx 32.32 Bj). Ele não concluiu o seu pensamento na primeira parte da frase (“agora, pois se perdoasses o seu pecado”), provavelmente por ter ficado emocionado. Paulo não concluiu o pensamento em Efésios 3.1, 2; “Por essa razão, eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo por amor de vós, os gentios... Certamente sabeis da dispensação da graça...”. O Senhor também interrompeu uma frase quando chorou por Jerusalém (Lc 19.42). Deve ter sido a emoção do momento que o levou a interromper a declaração.

17.              Pergunta retórica.
            Uma pergunta retórica é aquela que não exige resposta; seu objetivo é forçar o leitor a respondê-la mentalmente e avaliar suas implicações. Quintiliano (35-100 d.C.), retórico romano, afirmou que as perguntas retóricas aumentam a força e a irrefutabilidade da prova. Quando Deus perguntou a Abrão: “Acaso para Deus há cousa demasiadamente difícil? ...” (Gn 18.14), ele não esperava ouvir uma resposta. A intenção era que o patriarca a respondesse mentalmente.
            Paulo fez uma pergunta retórica em Romanos 8.31: “...Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. Essas perguntas retóricas são formas de transmitir informações.
            Às vezes uma pergunta retórica dirigi-se justamente a quem a fez, como aconteceu em Lucas 12.17, quando o homem rico pensou consigo mesmo; “...Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?”. Quando Jesus perguntou às multidões: “...Saístes com espadas e cacetes para prender-me, como a um salteador?” (Mt 26.55), a pergunta tinha por objetivo fazê-los entender que ele não era um salteador.
            Às vezes se faz uma pergunta retórica com o fim da repreensão. Elas também levam os ouvintes ou leitores a pensar. Por exemplo, Jesus perguntou aos discípulos: “...Por que sois assim tímidos? Como é que não tendes fé?” (Mc 4.40). Ele os repreendeu com essas perguntas por estarem com medo e não terem fé. As palavras de Jesus para os sonolentos discípulos no Getsêmani – “...Ainda dormis e repousais!...” (14.41) – foram uma repreensão pelo fato de estarem dormindo. Quando se interpreta a Bíblia, é importante estar atento às pergunta retóricas, e reparando como estão sendo empregadas e que idéias transmitem.

Figuras de Linguagem que Encerram Exageros ou Atenuações:

18.              Hipérbole.
            É uma afirmação exagerada em que si diz mais do que o significado literal com o objetivo de ênfase. Quando 10 dos espias israelitas apresentaram o relatório da incursão à Canaã, realmente chegavam aos céus; estavam apenas dizendo que eram descomunalmente altas. O salmista valeu-se da hipérbole para acrescentar ênfase quando escreveu: “...todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago” (Sl 6.6). A Bíblia de Jerusalém expressa a idéia da hipérbole numa linguagem um pouco mais literal: “...de noite eu choro na cama, banhando meu leito com lágrima”. Até mesmo esse linguajar mais suave, porém, é hiperbólico. Davi estava chorando muito, mas com certeza não a ponto de sua cama nadar ou ficar encharcada.
            Depois de Davi ter matado Golias, as mulheres de Israel vieram ao encontro do rei Saul cantando: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares” (1 Sm 18.17). É evidente que Davi não tinha matado dez vezes mais pessoas que Saul; Davi só havia matado uma pessoa. No entanto, a derrota de Golias foi relatada por meio de uma hipérbole que ressaltava o grande significado daquela vitória contra o gigante filisteu.
            As hipérboles são recursos literários para refletir o que os escritos queriam transmitir. As hipérboles são um erro? Seu uso condiz com a inerrância das Escrituras? Se os autores que empregaram hipérboles estavam dizendo mais do que pretendiam, devemos entender isso como vimos nos exemplos em geral o leitor as entende imediatamente como afirmações exageradas que visam à ênfase e ao impacto. Assim sendo, ele não fica confuso.

19.              Litotes.
            Consiste numa frase suavizada ou negativa para expressar uma afirmação. É o oposto da hipérbole. Quando dizemos “Ele não é um mal pregado”, queremos dizer que ele é um pregador muito bom. A atenuação confere ênfase. Quando Paulo disse: “... Eu sou Judeu, natural de Tarso, cidade não insignificante...” (At 21.39), quis dizer que Tarso era na realidade uma cidade importante.
            Às vezes uma litotes é uma frase de depreciação, como vemos em Números 13.33: “Éramos aos nossos próprios olhos como gafanhotos, e assim também o éramos aos seus olhos”. Paulo depreciou a si mesmo com uma litotes, em 1 Coríntios 15.9: “Porque eu sou o menor dos apóstolos...”. Essa declaração de autêntica humildade foi feita para salientar a graça de Deus em sua vida, como pecador que não a merecia.

20.              Ironia.
            A ironia é uma forma de ridicularizar indiretamente sob a forma de elogio. Com freqüência vem marcada pelo tom de voz de quem fala, para que os ouvintes a percebam. Por isso, às vezes é difícil saber se uma declaração escrita deve ser considerada ironia. Mas normalmente o contexto ajuda a mostrar se é ou não uma ironia. Mical, a filha de Saul, disse a Davi: “...Que bela figura fez o rei de Israel...” (2 Sm 6.20). O versículo 22 indica que o sentido era oposto, ou seja, que ele havia-se humilhado ao agir de maneira indigna, no entender de Mical.  Às vezes a ironia vem acompanhada de humor, como no caso em que Elias zombou dos profetas de Baal: “Clamai em altas vozes, porque ele é deus!” (1 Rs 18.27). É claro que Elias não acreditava que o falso deus Baal realmente existisse. Ele fez um elogio a Baal em tom de ironia para incitar os profetas a orarem ainda mais alto. Isso reforçou o fato de que aquele deus falso, ao contrário de IAVÉ, o Deus verdadeiro, nem sempre ouvia seus adoradores.
            Além da ironia verbal a também a ironia dramática. Essa diz respeito à uma situação oposta a que se espera ou à que deve ser. Por exemplo, uma ironia dramática é o fato de Eliú – mais jovem que Jó e seus três amigos – aparentemente ter maior percepção da situação de Jó do que os três senhores. Isso contraria as expectativas. E também, depois de lermos sobre a integridade de Jó (Jó 1.1,8; 2.3), ficamos alarmados quando vemos as calamidades por que passou. Parece justamente o oposto do que o leitor acharia por certo encontrar.
            Os termos ironia e sarcasmo costumam ser usados indistintamente, porque a ironia em geral apresenta um tom de sarcasmo. Mas normalmente o sarcasmo é mais forte. Por ser mais ácido, é próprio de ofensas, da crítica mordaz. Já a ironia é uma forma mais sutil de ridicularizar.

21.              Pleonasmo.
            Consiste na repetição de palavras ou no acréscimo de palavras semelhantes, que em nossa língua parecem redundantes. Jó disse para Deus: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi” (Jó 42.5, ARC). Nesta figura de linguagem, as palavras ouvir, ouvidos e ouvi são uma redundância na língua culta. Por isso a ARA traduz assim o versículo: “Eu te conheci só de ouvir”. No grego, Atos 2.30 quer dizer literalmente “Deus lhe havia jurado com juramento”. Como para nós seria uma repetição desnecessária, a ARA diz: “...Deus lhe havia jurado...”. Outro exemplo é a afirmação de Mateus de que os sábios “alegraram-se com grande e intenso júbilo” (Mt2.10). A idéia é que estavam exultantes. “Ele respondeu e disse” é um pleonasmo, como também é “elevou os olhos e viu”.

Figuras de Linguagem que Encerram Incoerências:

22.              Oxímoro.
            Consiste na combinação de termos opostos ou contraditórios. O termo oximoro vem de duas palavras gregas: oxu (“esperto”) e moros (“burros”). Como alguns exemplos, temos: “silêncio eloqüente”, “covarde valentia”, “inocente culpa” e “cópia original”. No primeiro exemplo, apesar de o silêncio não ter eloqüência, está tão evidente que é como se tivesse. Pedro fez menção das “dores de parto da morte” de Jesus (grego literal, At 2.24; a ARA registra “grilhões da morte”) . Em outras palavras, a morte de Jesus foi tão dolorosa quanto um parrto. Apesar de “dores de parto” e “morte” serem experiências opostas raramente associadas, são aqui relacionadas para retratar com maior força a morte do Senhor. A “glória “dos inimigos de Cristo está “na sua infâmia” (Fp 3.19).
            Glória e infâmia normalmente não se associam, mas Paulo utilizou esta combinação na frase para retratar com vividez o fato de que eles se gabavam de coisas das quais deviam envergonhar-se . “Sacrificios vivos” (Rm 12.1) é mais um oximoro bíblico.

23.              Paradoxo.
            Paradoxo é uma figura aparentemente absurda ou contrária ao bom senso. Um paradoxo não é uma contradição; é simplesmente algo que parece ser o oposto do que em geral se sabe. Parece um paradoxo o fato de Jesus dizer: “...quem perder a vida por causa de mim e do evangelho, salvá-la-á” (Mc 8.35). Geralmente, quando alguém perde alguma coisa, não a salva a mesmo tempo. É claro que Jesus falou desse modo para enfatizar que, quando alguém faz sacrifícios por ele, de fato experimenta uma vida mais completa e agradável.

Figuras de Linguagem que Encerram Sonoridade:

24.              Paronomásia.
            Consiste no emprego das mesmas palavras ou de palavras de sons semelhantes para produzir sentidos diferentes. Uma paronomásia às vezes é chamada de “jogo de palavras” ou “trocadilho”.
            Jesus disse para certa pessoa: “...Segue-me, e deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Mt 8.22). “Mortos” aqui têm dois sentidos: o primeiro significa aqueles que estão espiritualmente mortos, e o segundo, os que experimentaram a morte física. A palavra casa é utilizada de duas formas em 2 Samuel 7. Davi queria construir uma casa para o Senhor (v. 5, um templo). Deus disse-lhe que Le não teria essa oportunidade, mas que ele próprio haveria de construir-lhe uma casa, ou seja, a dinastia de Davi (v.11).
            Às vezes os autores do Novo Testamento empregavam palavras que começavam com as mesmas letras. Chama-se a isso aliteração. Lucas 21.11 fala de fome (loimoi) e epidemias (limoi).

25.              Onomatopéia.
            É uma palavra cuja pronúncia imita o som da coisa significada. Existem muitas palavras assim: murmúrio, sussurro, cicio, chiado, tique-taque, etc. O verbo lançar, em Jó 9.26, é um caso de onomatopéia no hebraico. O verbo hebraico é û, cuja pronúncia é como o som da águia (ou do falcão peregrino) quando se lança sobre a presa a uma velocidade elevadíssima.  O termo hebraico para “botija”, em Jeremias 19.1,10, é baqbuq, cuja pronúncia é como o som de água gorgolejando de uma botija. Jeremias também empregou esse termo como uma paranomásia, pois, no versículo 7, a palavra para “ruína” ou “arruinarei”, conforme se encontra na NVI, é baqaq, cujo som é semelhante ao da palavra que tem o significado de botija. Algumas vezes, duas figuras de linguagem se misturam. Quando Miquéias escreveu: “...prestai atenção, ó terra...”(1.2), ele usou uma  apóstrofe, pois referiu-se á terra como se estivesse presente, e uma personificação, pois atribuiu-lhe o sentido humano da audição. Essas mesmas duas figuras de linguagem aparecem em Salmos 114.5: “Que tens, ó mar...”?

5 comentários:

eliane polo disse...

Muito bom. Excelente

ed correia disse...

MUITO BOM COMENTÁRIO E EXPLICAÇÃO. DEUS LHE ABENÇOE. PR ED CORREIA

Deus é Fiel! disse...

Obrigado Eliane e Pr. Ed Correia!
Que Deus nos ilumine mais e mais a cada dia! Abraços!

Mahara Queiroz disse...

A paz do Senhor!
Parabéns pelo blog.
Me ajudou muito no meu trabalho do Seminário de teologia.
Que Deus continue te abençoando.

JUCENI disse...

QUE GOSTOSO VERMOS EXEMPLOS DIVERSOS DAS FIGURAS DE LINGUAGENS USADA NA BÍBLIA. PARABÉNS PELO TRABALHO! DEUS CONTINUE USANDO-O.
JUCENI